Thursday, August 12, 2010

Painful Memories

E quando o mundo desabar, quando seus pés pisarem em nada além do que espinhos e brasas, lembre-se de que durante o sono, você fantasia. Lembre-se de que durante o sono, o mundo é perfeito, não há mágoas, ou lágrimas, ou dor. Lembre-se que, mesmo não podendo dormir, seus pés ainda podem chorar, numa caminhada sem rumo, sem duração, e muitas vezes sem sentido.









Olhares.com
Lembre-se que, mesmo que não haja o sono, nem os passos, seus olhos ainda podem lavar desde a alma ao coração. Que essas mesmas lágrimas podem não trazer a solução dos problemas, mas aliviam a dor de um momento que nunca se sabe se ou quando vai se repetir. Lembre-se que a voz ainda tem o poder de fazer ecoar um pedido de perdão, ou um grito de dor, e que essa mesma voz pode fazer pessoas sorrirem ou chorarem, seja com melodia ou poesia, seja com ferro ou fogo, na medida do seu próprio estado de espírito.



Lembre-se que, mesmo que todo o resto falhe, a fé (naquilo a que você se apegar, qualquer crença que valha) ainda move montanhas. Que pessoas se curam com a fé. Que milagres acontecem pela fé. Que a fé é o último sopro de esperança que pode lhe restar, antes a entrega, da desistência, da derrota.



E quando tudo isso acabar, também se lembre de que seus pecados são seus. Que seus erros são seus, que suas mágoas são suas, e não deixarão de serem suas, mesmo que lhe entreguem facas, punhais, lanças e balas. Serão seus calos, marcas dos seus esforços, da sua caminhada pelo amadurecimento, do seu entendimento sobre como as pessoas são, pensam e agem, num ciclo vicioso de amor e ódio. Lembre-se que dor gera dor, e que amor gera amor, em igual proporção. Lembre-se que dor é como memória, e memórias são como zumbis. Ou como anjos. Não morrem, não se enterram, e assim como o um, ou como o outro, lhe trazem sorrisos, ou ainda mais dor.



Apenas lembre-se.



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Sunday, August 8, 2010

[Filme] - A Lenda dos Guardiões



Mais uma dica de filme do velho amigo Fausto :) Eu não sei como ele consegue arrumar esses links... Parece que tira da cartola...





Tomara que não demore muito para chegar a data de estréia (prevista para 08/10/2010)...

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I need keep walking...



Um começo de tarde qualquer, e um menino, meio indeciso sobre suas próprias atitudes, se vê no meio de um calçadão. À sua frente, mar. Às suas costas, asfalto. À sua direita, um caminho que logo acabaria num porto. À sua esquerda, calçada, calçada, e mais calçada. Sentou-se um pouco à beira de uma mureta, e ficou ali, respirando a brisa salgada do mar, ouvindo as ondas batendo nas pedras, e pensando sobre como a cidade pulsava, ignorante aos pesadelos alheios.



E o menino então seguiu andando à esquerda daquele ponto, tentando não pensar em nada. Parecia amargurado com a inércia da sua vida, com o quão difícil as coisas tinham sido para ele até então. Pensava sobre como ele era sempre o último a conseguir as coisas que desejava, sobre como e porque as coisas eram tão mais fáceis para algumas outras pessoas, seja pela aparência, seja pela condição social, ou por uma série de questões que, para ele, não faziam o menor sentido.

Passava pelos pontos de ônibus, e via pessoas sem perspectiva alguma, encerradas numa rotina que, para elas, era o suficiente. Passava pelas praias, e via pessoas entretidas num lazer momentâneo, que aquele mesmo menino não teve tanto tempo de desfrutar. Enquanto andava, o menino se perguntava o porquê de algumas escolhas erradas, o porquê de tanta auto-penitência, lamentação, angústia e ansiedade. Foi ali, talvez, então, que o menino decidiu simplesmente continuar andando.

Engraçado... Parece que mesmo agora, depois de ter gasto alguns pares de sapato, ainda há tanto pra se andar... Ao menos, aprendeu que, às vezes, se deve aceitar as coisas simplesmente como elas são. Aprendeu que, às vezes, também é necessário esperar, se não quiser ser atropelado pela vida, que sempre segue em frente. Aprendeu que lágrimas sempre hão de existir, mas que sejam derramadas do melhor jeito possível.

Talvez tenha doído aprender que nenhuma lembrança vale o prazer da descoberta. Talvez ainda não tenha aprendido o quão doloridas são as caimbras, afinal, andar rápido demais tem seu preço. É de passo em passo que se caminha, e correndo não se aproveita muita coisa...

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